domingo, 18 de dezembro de 2011



Pássaros Quânticos

À tarde, quando as flores exalam um aroma de solares extim, eu fico em baixo de uma árvore, esperando todos os pássaros passarem. Eles são quânticos, andam em bandos e gostam de me seguir. Eles gostam porque dou comida a eles e quando a fome passa, rapidamente esquecem que eu existo. Preciso excitá-los o tempo inteiro pra andarem junto a mim. De maneira alguma penso em deixá-los. Deixei coisas demais pra trás. Coisas pesadas e chatas pra carregar. São aquelas coisas que não tem jeito certo pra viagem. Possuem formas estranhas e difíceis de conseguir uma posição confortável para seguir viagem. Por isso escolhi os pássaros quânticos. Eles habitam em dimensões discretas, não incomodam diretamente e não sujam as minhas coisas. De vez em quando eles gostam de habitar dentro de mim. E quando isso acontece, uma flor cresce em meu peito e de cada em cada instante sente esperança de poder mais uma vez se alimentar do meu corpo, o adubo predileto dela. É uma flor híbrida de pássaro com vegetal. Pássaros quânticos mais vegetais fotossintéticos. Eles demoram mais ou menos uma vida pra se desfazerem. Quando essa flor se desfaz, os sonhos se desfazem. Ela é a representação do sonho. Desejada e instigante. Eu vivo com esses pássaros porque apesar de serem totalmente livres, gostam de se aprisionar em meu corpo como se fôssemos uma coisa só.

Genèse Fachêr

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